A
idéia vem sendo discutida desde a primeira visita realizada em
dezembro do ano passado a APAEB que ver com bons olhos
esse empreendimento.
Por Edisvânio Nascimento, com informações da APAEB
Valente – Bahia.
O Agave tequilana, ou agave azul, como é conhecida, é uma espécie
de planta do gênero Agave e um importante produto econômico do
estado mexicano de Jalisco devido o seu papel como ingrediente
principal na fabricação de tequila, uma espécie de bebida alcoólica
destilada muito famosa naquele país.
Alem desta bebida o agave também é utilizado no
México para a produção de adoçante e outros produtos que substituem
o açúcar, mas suas utilizações vão alem disso, pode se produzir
fibra para confecção de tapetes e outros artesanatos e utilizar
o bagaço para a produção de energia.
O agave azul é nativo de Jalisco, no México, preferindo
as altitudes maiores que 1500 metros e solo arenoso. Mas, que se
adaptam às regiões com poucos índices de chuvas como é o caso da
região sisaleira da Bahia.
Diante disso, empresários mexicanos demonstraram
o interesse em investir na produção do agave tequilana na região
sisaleira. Esta ideia vem sendo discutida desde a primeira visita
realizada a APAEB no município de Valente, a 240 km de Salvador,
em dezembro de 2011.
Em entrevista ao Rádio Revista na ultima Sexta-Feira,
(27), o Diretor Executivo da Associação de Desenvolvimento Sustentável
e Solidário da Região Sisaleira (APAEB), Ismael Ferreira de Oliveira
falou que a APAEB ao longo dos seus trinta e um anos de caminhada,
tem buscado alternativas para diversificar a sua produção e assim,
poder contribuir com a melhoria da qualidade de vida das pessoas.
Ele sinalizou que a alguns anos a APAEB faz visitas
ao México e iniciou um dialogo que tem evoluído, na perspectiva
de poder trazer e introduzir na região, a cultura do Agave tequilana
ou agave azul. “Estamos a algum tempo conversando com empresários
do México interessados em vir para o Brasil, e exatamente nesta
perspectiva de introduzir em nossa região o agave tequilana, um
sisal parecido com o que é produzido na região, mas com algumas
composições químicas diferentes e por isso, pode ter certas utilizações
que o nosso agave sisalano não permite". Afirmou. 
O Diretor disse também, que o Agave Azul, não
se resume apenas na produção de Tequila, mas, pode ser perfeitamente
usado na produção e aproveitamento da fibra. Oliveira disse Também,
que já há um estudo sobre a viabilidade da introdução do Agave
Azul na região do sisal e que já está constatado que pode dar certo.
Para o Executivo, o projeto requer três partes envolvidas, as Organizações
da Região do Sisal, agricultores familiares e a APAEB que já acumula
uma experiência de mais de 30 anos, o suporte do Estado na infra-estrutura
e o empresário que vai chegar com os investimentos.
Quanto ao período para o processo de produção,
Ismael sinalizou que o Agave tequilana, não é diferente do sisal,
em solos melhores está pronto após quatro ou cinco anos e em solos
menos férteis em seis. “A APAEB está trabalhando com a meta para
seis anos”. Acrescentou Ismael.
Ele falou também da importância que tem o peso
do Estado, no apoio ao empreendimento. Segundo o Diretor Executivo,
as conversas já estão bastante evoluídas, na perspectiva de que
o estado se coloque a disposição para apoiar a introdução dessa
cultura na região, foram realizadas algumas reuniões com a Secretaria
da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária - SEAGRI e a Secretaria
do Planejamento- SEPLAN. De acordo com o Executivo, o governo do
estado se propôs a fazer alguns encaminhamentos e vai enviar uma
carta de intenções para a empresa mexicana afirmando o interesse
em apoiar a iniciativa.
Questionado sobre possíveis mudanças tecnológicas
para facilitar a vida do produtor, nos processos de produção do
Agave tequilano, ou mesmo do próprio sisal, ele destacou que essa
mudança tecnológica é para acontecer já nos processos de desfibramento.
“Esse é outro projeto que já está em andamento”. Concluiu. Ismael
fez questão de enfatizar que a introdução do Agave tequlana, ou
Agave azul na região do sisal, não é para substituir uma cultura
pela outra, mas sim, para trazer melhorias de qualidade de vida
das pessoas. “Se fosse para trazer prejuízos às pessoas, aos produtores,
pode ter certeza que a APAEB não entraria nessa”. Afirmou Ismael.
Oliveira apontou também, que com a introdução
do Agave azul, na região, surgem diversas possibilidades para o
rendimento do produtor, destacando como acontecem as fases do processo
de produção. Quanto à valorização da mão-de-obra, ele disse que
o interesse do projeto, está relacionado aos rendimentos dos produtores,
aliado á melhoria das condições de vida das pessoas e não de piorar.
Segundo Ismael, já existe um calculo quanto ao rendimento e que
para cada hectare de terra o Agave tequilana rende dez vezes mais
que o sisal. Com isso, vai ganhar o produtor e o trabalhador.
O Executivo da APAEB acrescentou que as negociações
relacionadas ao apoio do Estado, já evoluíram muito, e, acredita
que dentro de 60 dias, o projeto já esteja bem mais claro para
as partes interessadas e espera que ainda neste primeiro semestre,
já comece o processo de experimentação com as mudas do Agave tequilana
e vendo como será o desempenho dela na região.
Ismael concluiu a entrevista, ressaltando a importância
de valorizar o produtor e o trabalhador, enfatizando que é importante
as Organizações da região estarem juntas, Sindicatos e APAEB, promovendo
reuniões para a sensibilização dos produtores, bem como, orientá-los,
fortalecendo o diálogo com o Estado e a empresa. Portanto, é importante
a participação de todos ajudando para que todos possam obter resultados
positivos.
Para mais informações acesse: http://www.apaeb.com.br
ou ligue para (75) 3263 3900.