Governador
deu posse ao primeiro Conselho de Comunicação, com Internet
Banda Larga e Rádio Comunitária aparecendo como temas importantes
em sua instalação.
Por: Dil Carmo e Beatriz Paiva, com informações de Paulo Marcos
e Arlene Freire.
Fotos: João Garcia.
Tomou posse na ultima terça-feira, 10, o primeiro Conselho Estadual de Comunicação
do Brasil em Salvador. No cerimonial foram empossados 27 representantes
de entidades e do governo, sendo 10 do segmento empresarial e 10
do movimento social, eleitos pelos seus seguimentos e sete indicados
pelo Governo do Estado.
O Governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), argumentou que o Conselho
tem por objetivo auxiliar o governo na elaboração de políticas
públicas de comunicação e a sua composição atende as recomendações
das duas Conferências de Comunicação realizadas em 2008 e 2009.
O debate sobre a reativação do Conselho Nacional sempre é cercado
de preconceitos e boicotes por parte de grandes grupos midiáticos
com o argumento que será uma forma de controle da mídia. O Governador
Wagner disse que a criação do Conselho baiano não caminha por esse
viés.
O Conselho já começa com uma pauta quente. A conselheira
Julieta Palmeira disse que é urgente que o Governo da Bahia crie
o plano de banda larga para o Estado.
O Secretário de Comunicação e presidente do Conselho,
Robson Almeida, foi bem receptivo ao tema. Para ele é legítima
a reivindicação de Internet de qualidade.
Ainda sobre o evento, Robson falou o que representa
para a Bahia o Conselho estadual de Comunicação. Ele enfatizou
que o tratamento que será dado a todos os conselheiros será igual
e que não haverá conselheiro do tipo A e nem do tipo B.
Já o radialista e Diretor Executivo da Rádio Comunitária
Santa Luz FM Edisvânio Nascimento que foi eleito como titular para
representar o Movimento de Radiodifusão Comunitária, quer o Conselho
de Comunicação apoiando o debate e as ações entorno da radiodifusão
comunitária.
De acordo com Edisvânio, a implantação do conselho
representa um momento novo para a Bahia. Ele informou que pretende
iniciar um processo de diálogo com entidades do segmento no Estado
e levar para as reuniões do conselho antigas e novas solicitações
das rádios comunitárias baianas. “Vamos apresentar reivindicações
antigas, como a publicidade nos veículos comunitários com recursos
públicos, produção de conteúdo local, formação para comunicadores
comunitários e diversas demandas já apontadas em seminários, congressos
e nas conferências realizadas em todo o estado, sem deixar de lado
as necessidades que surgirem”, destacou o Conselheiro.
Edisvânio Nascimento destacou o seu sentimento de ser um dos escolhidos
para fazer parte do Conselho. “É com alegria e com uma esperança
renovada que representando a Rádio Comunitária Santa Luz FM, eu
fui eleito para compor o Conselho de Comunicação do Estado representando
o Movimento de Rádios Comunitárias da Bahia. Esse feito não me
envaidece, pelo contrario, faz com que eu reflita sobre o tamanho
da responsabilidade que é para mim como para todo Conselheiro,
primeiro, porque se trata de o Primeiro Conselho de Comunicação
do Estado, depois por que é o primeiro do país a ser criado, e,
isso nos coloca na responsabilidade de fazer com que ele de fato
aconteça e possa servir como marca emblemática que sirva de modelo
para os demais Estados”.
O Conselheiro disse também que essa cadeira no Conselho é uma justiça
feita e um reconhecimento do importante papel que tem o Território
do Sisal. “Para mim essa conquista é justa, não pela Santa Luz
FM somente, mas, sobretudo, de todo um trabalho e organização da
região Sisaleira na luta pela democratização da comunicação. Ai
se entenda, as Rádios, os movimentos populares que as defendem,
as ONGs, como MOC, o CODES SISAL e A FATRES. Mas é impossível esquecer
a ABRAÇO-SISAL, que mesmo estando em dificuldades ainda é um referencial
quando se fala em Rádios Comunitárias e o mais recente criado Comitê
pela Democratização da Comunicação”. Afirmou Nascimento.
Ele falou ainda do que pretende fazer junto ao Conselho, “Quero
dedicar minhas energias, ao enfrentamento pela distribuição da
verba pública do Estado destinada à comunicação também para as
Rádios Comunitárias, uma vez que até hoje isso não é feito. Quero
que as Rádios Comunitárias sejam respeitadas pelo Governo, como
um importante instrumento de comunicação que pode ajudar na luta
pela democratização da informação e não que seja vista como uma
Rádio de coitadinhos que vive de uma esmola ou como algo que para
os olhos do Governo é ilegal e que não pode participar ou obter
verbas do Estado. Ora, as Comerciais conseguem e é seu direito,
porém entendemos que se obtemos a Outorga para funcionamento, o
direito também está ao nosso favor, além da reestruturação e fortalecimentos
das ABRAÇOS, Estadual e Sisal. Mas para que isso aconteça vai depender
muito de todos nós. Não vai ser fácil, mas creio que pensando de
forma unida e coletiva chegaremos lá”. Concluiu.
Dentre as atribuições do Conselho estão: elaborar e acompanhar
a execução de políticas públicas que garantam a democratização
do acesso ao conteúdo e aos meios de comunicação e formular e acompanhar
a execução do Plano Estadual de Políticas Públicas de Comunicação
Social.
Previsto na Constituição Estadual de 1989, o conselho foi regulamentado
com a Lei 12.212, de 4 de maio de 2011, de autoria do Poder Executivo
e a eleição dos representantes da sociedade civil foi em 25 de
novembro de 2011, na Fundação Luis Eduardo, com a participação
de mais de 60 entidades e de forma consensual.